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"A GUERRA rússia-ucrânia": MESA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA


Há menos de um mês publicamos o livro ENSAIOS SOBRE A GUERRA Rússia Ucrânia 2022, para fomentar o debate que entendemos ser urgente e necessário. Dessa vez, trazemos para nosso público leitor a íntegra da mesa realizada em 23 de novembro último, na Universidade Federal de Juiz de Fora com o título A guerra Rússia – Ucrânia, no contexto do Simpósio Internacional literatura russa e filosofia: religião, nacionalismo e dissidência.


Coordenada por Bruno Barretto Gomide, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e um dos organizadores deste livro da Kinoruss, a mesa contou com a participação de dois de nossos autores, Martín Baña, da Universidad Nacional de San Martín, e Svetlana Ruseishvili, da Universidade Federal de São Carlos.


Svetlana Ruseishvili, Martín Baña e Bruno Gomide. Frame de vídeo oficial do evento na UFJF. 23 nov. 2022.


Retomando as principais ideias de seu artigo, Ouvir a cultura ou queimar o futuro? Rússia e Europa no âmbito da invasão da Ucrânia, o historiador argentino analisou os principais aspectos por trás da invasão iniciada em 24 de fevereiro. Segundo o autor, é preciso ter em mente que mais do que interesses locais, a investida russa em território ucraniano põe em questão uma nova organização global de poderes. Com o intuito de reordenar o mundo a partir de novos valores e reorientar a geopolítica para o espaço asiático, tendo a Rússia como protagonista, Pútin visa destacar a natureza poderosa de seu país, enfatizando para isso um suposto declínio da Europa e, consequentemente, a necessidade de questionar laços culturais e espirituais eventualmente rompidos. A Europa, por sua vez, reavivando uma tradicional russofobia, desde os primeiros dias da guerra aplicou uma forte política de sanções econômicas, culturais, diplomáticas, acadêmicas e mesmo esportivas. O fenômeno, lembra Banã, não é novidade. Mesmo antes da revolução bolchevique de 1917, quando à União Soviética foi atribuída a condição de um outro cultural, a Rússia sempre encarnou para a Europa uma série de características negativas e condenáveis, que serviam para afirmar a identidade positiva europeia. Fato é que, ao sustentar seus preconceitos, a Europa contribui para o vitimista discurso de Vladímir Pútin, segundo o qual os russos seriam prejudicados pelo resto do mundo, o que justificaria as drásticas medidas de controle cultural para proteção da Rússia de influências estrangeiras nocivas.


Svetlana Ruseishvili, Martín Baña e Bruno Gomide. Frame de vídeo oficial do evento na UFJF. 23 nov. 2022.


Em sua fala, Svetlana Ruseishvili atualizou os dados e reflexões que vem realizando durante os nove meses de guerra, destacando aspectos pouco explorados do conflito: os combustíveis fósseis e a questão de gênero e suas relações com processos comprovadamente ineficazes e destrutivos para um possível movimento de solidariedade planetária: o capitalismo e o retrocesso de direitos conquistados pelas mulheres ao longo do último século. Expressou também preocupação com os quase 8 milhões de deslocados ucranianos que hoje se encontram na Europa, em especial na Polônia e República Tcheca, seu principal destino. O número torna-se ainda mais alarmante quando considerada a população civil russa – entre 500 mil e 1 milhão de deslocados – migrada para fugir da obrigatoriedade do serviço militar, imposta pelo Krêmlin em 21 de setembro de 2022. O número, é preciso ressaltar, gira em torno de uma estimativa, haja vista a dificuldade de acesso aos dados reais imposta pelo governo autoritário de Vladímir Putin. Uma vez que os russos não contam com a mesma política migratória que acolhe os ucranianos na Europa do Leste e Central desde a deflagração da guerra, em fevereiro deste ano, seu deslocamento concentra-se sobretudo no Cáucaso e nos países da Ásia Central. A constatação mostra a falácia da ideia de que os refugiados buscariam exclusivamente o norte global com o intuito de melhores condições de vida. De fato, os deslocados orientam-se em sua maioria para as regiões limítrofes, tanto geográfica quanto culturalmente, na esperança de um breve retorno. A pesquisadora ressalta ainda a ironia contida no discurso do presidente russo. Embora Pútin oficialmente saía em defesa de valores tradicionais e conservadores, as famílias são as principais vítimas da guerra. Desagregadas pelos deslocamentos forçados, a maioria das famílias são hoje geradas por mães solo, sejam elas do lado ucraniano, tendo mães, crianças, idosos e incapacitados fugidos da guerra, sejam elas do lado russo, posto que os homens saíram do país, a fim de furtar-se do alistamento militar obrigatório.


Você pode assistir à mesa toda clicando na imagem abaixo (inicia aos 12min23 com a abertura dos trabalhos por Jimmy Sudário Cabral, professor no Departamento de Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora):



O DEBATE SOBRE ESSA GUERRA É VITAL !

PARA SABER MAIS SOBRE O LIVRO

ENSAIOS SOBRE A GUERRA Rússia Ucrânia 2022


📚 Organização do livro Bruno Gomide e Neide Jallageas Com a autoria de Angelo Segrillo, Anna Smirnova Henriques, Cristina Dunáeva, Daniel Aarão Reis, Elena Vássina, Fernando Bomfim Mariana, Helen Petrovsky, Henrique S. Carneiro, Letícia Mei, Lucas Simone, Martin Baña, Omar Ribeiro Thomaz, Pedro Fratino, Svetlana Ruseishvili, Vicente Ferraro, Volodymyr Tesko e Yves Cohen.



 

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